Crianças bilíngues são mais inteligentes?

“Vários pesquisadores têm se perguntado isso depois que estudos indicaram que crianças que falam mais de uma língua têm parte do processo cognitivo mais desenvolvido”. Ellen Bialystock da universidade em Toronto

Mudança de paradigma

Uma visão comum antes dos anos 60 era  de que ensinar uma criança mais de uma língua muito cedo podia confundir. Estudos comportamentais da época acreditavam que suas mentes não eram desenvolvidas o suficiente para lidar com tanta informação e que ser bilíngue era desorientador para as crianças. Desde então inúmeros estudos têm demonstrado que os cérebros jovens são muito mais adaptáveis do que os cientistas da velha escola científica imaginavam. Aprender várias línguas não irá confundir uma criança ou um aluno adulto: bilinguismo na verdade remodela o cérebro.

(Quando me refiro a “bilinguismo” eu não estou falando sobre algumas poucas aulas para que você seja capaz de pedir comida em língua estrangeira com confiança, a maioria dos benefícios cognitivos que estou prestes a assinalar só acontecem para pessoas que são comprovadamente bilíngue: pessoas que passam nos testes de fluência).

Em um estudo realizado por Cathy PriCe, pesquisador de neuroimagem da Universidade College London, descobriu-se que os bilíngues tinham mais matéria cinzenta no seu giro posterior supramarginal, um nome longo para a parte do cérebro associada à aquisição de vocabulário.

“Quando você aprende outras línguas, suas giros supramarginais posteriores vão se exercitar e ser estimuladas a crescer”Price.

Quando você observa as imagens há maior densidade de matéria cinzenta em cérebros de pessoas que falam mais de uma língua.

A imagem abaixo é de um dos cérebros bilíngues verificados pela equipe de Price. Ele mostra o cérebro de três ângulos diferentes, o ponto amarelo identifica a área ande se vê o espessamento. Se a massa cinzenta toma grande parte das células nervosas dentro do cérebro , quanto mais massa cinzenta, mais rapidez e precisão na execução de determinadas tarefas do cérebro.

Existem evidências de que cérebros bilíngues são melhores ao executar tarefas onde informações conflitantes precisam ser processadas. Em um estudo, Ellen Bialystok submeteu um grupo de crianças de 5 anos ( alguns monolíngues e outros bilíngues) a algo chamado de” testes Simon” que são usados para determinar a rapidez com que as pessoas podem responder a um estímulo confuso. Por exemplo, você pode ser solicitado a apertar um botão com a mão direita que aciona uma luz sobre o lado esquerdo do seu campo de visão, coisas que não parecem naturais. Os bilíngues em geral foram muito melhores nos testes. O que sugere que eles são muito melhores em classificar informações conflitantes.

Isso acontece porque o cérebro está acostumado a suprimir a linguagem  que não está sendo usada em determinado momento, ele tem experiência em inibir informações inúteis e promover coisas importantes. Existem muitos benefícios para isso. Um estudo descobriu que os bilíngues foram capazes de filtrar o ruido de um ambiente. Falar duas línguas significa sentir -se menos sobrecarregado ao tentar por ordem num movimentado restaurante e o torna mais capaz de conversar com alguém em um metrô lotado.

“Biliguismo é uma experiência , diz Bialystock e assim como qualquer outro exercício (como dança , tricô, língua de sinais) faz ligações no cérebro, formando novos neurônios e novas conexões.

mapping the bilingual brain Tradução de Renata Madureira.
Veja também: The benefits of a bilingual Brain – Mia Nacamulli