E se a gente divulgasse notícias do bem?

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As chuvas começaram e as matérias sobre os famosos “buracos” da cidade já voltaram a circular. Outro dia ao passar na rua 10 e ver o carro da reportagem no mesmo lugar, dizendo as mesmas coisas, me deu vontade de dizer ao jornalista: Pra quê fazer outra matéria? É só repetir a mesma matéria do ano passado, nada mudou. Fizemos protestos, tapamos buracos, atraímos a atenção da mídia e infelizmente voltamos para o mesmo lugar.

Andamos? sim, mas não o necessário para que essa matéria não  seja repetida ano a ano, parece mesmo até falta de criatividade do jornalista, contar a mesma história de novo e de novo, no mesmo lugar, do mesmo jeito.

As pessoas já estão anestesiadas de ouvirem as mesmas notícias de 3 minutos: o caos da saúde, greve, violência, corrupção e os buracos de Vicente Pires… Ninguém fica chocado ou indignado mais, e logo vem a moça do tempo discorrendo sobre onde vai chover e fazer calor, por um tempo que me parece longo demais, fazendo a gente esquecer toda a desgraça dos três minutos anteriores.

Tenho quebrado a cabeça pensando em soluções que não dependam apenas do poder público, já que sabemos que chamar a atenção da mídia para envergonhar nossos governantes não está mais fazendo diferença. Se isso fosse mudar a atitude deles, já teriam mudado com tudo o que vemos todos os dias no noticiário. Pensando nisso, decidi então que não farei mais parte do grupo dos que reclamam dos problemas da cidade.

Sem tirar o mérito daqueles que protestam e lutam incansavelmente pela nossa cidade, eu quero agora fazer parte de um grupo diferente mas que também age para o bem da cidade. Parte de um grupo que tenta fazer o seu trabalho da melhor forma possível para construir, plantar e abençoar nossa cidade com boas notícias.

Me chamem de Poliana e sonhadora, mas acredito que a difusão de boas notícias e projetos que têm dado certo também podem contribuir com a solução dos problemas da cidade. Os problemas são muitos reconheço, mas se a gente cai na “onda” pessimista de apenas reclamar e apontar o dedo, corre o risco de gastar toda sua energia aí e espalhar um sentimento que está paralisando as pessoas. Paralisa porque simplesmente deixamos de acreditar que os problemas da sociedade tem jeito!

Culpar ou agir? Estamos sempre prontos para julgar o outro e reclamar de tudo que está ao nosso redor, nos contaminando com essa corrente negativa de insatisfação, ódio e intolerância e esquecemos que é nossa obrigação construir e fazer parte da solução. Pessoas com pequenas atitudes do bem também podem transformar e colaborar para a solução de problemas.

Nossas crianças estão se fechando nos seus quartos, jogos eletrônicos e mundo virtual e deixando de olhar para o outro e pensar nele como parte de todos nós. Estamos tão tensos e nervosos com a crise  e inúmeras tarefas diárias que nos esquecemos de parar para apreciar o pôr do sol.

É natal e muitas pessoas fazem o bem nessa data, são generosas, ajudam, acolhem, alimentam, doam e isso é bom! Existem também pessoas que fazem isso o ano inteiro, pessoas que acolhem e tentam ajudar o próximo. Vamos então voltar nossos olhos para as pessoas do bem, divulgar suas atitudes e multiplicá-las com o nosso apoio, envolver as nossas crianças e adolescentes em projetos culturais e sociais que façam o bem para nós e nossos vizinhos.

Precisamos espalhar e divulgar boas ideias, notícias e projetos, “contaminar” a sociedade com mais otimismo e boa vontade.É natal, tempo de reflexão  Renata Madureira

Texto também publicado no jornal Conversa Informal