Minha história de aprendizado do inglês

Todo professor tem sua história, então vou contar a minha:

Eu me formei muito nova em magistério, fui concursada e iniciei minha carreira na SEDF, fiz 2 anos de economia e acabei me formando em Relações Internacionais. Porém o meu verdadeiro aprendizado de língua inglesa começou na prática quando morei nos EUA. Aprender de forma prática e imersiva não me fez acomodar com o conhecimento básico de só  “me virar” e conseguir me comunicar em inglês.  

Muitos acreditam que a simples vivência em um país estrangeiro pode ser o primeiro passo para dar aulas de inglês, principalmente em cursos livres. O fato é que dar aulas de inglês requer sim um conhecimento mais profundo de gramática,  cultura, além de metodologias voltadas para o ensino de idiomas.

Minha vivência e tudo o que envolve minha formação de 22 anos na área de ensino de idiomas é o que considero que me credenciou para dar aulas, independente de  ser ou não formada especificamente nessa área.

Voltando ao assunto de como aprendi inglês, antes de sair do país fiz um breve curso com uma professora particular de inglês, mas quando cheguei aos Estados Unidos apesar de conseguir ler  e escrever, não conseguia me comunicar. Por isso, comecei a ter aulas com uma professora em Connecticut e depois quando me mudei para Nova Iorque ingressei no Instituto Bocces que entre outros cursos também oferecia cursos de inglês para estrangeiros. 

Sempre gostei de estudar e não queria morar em um país sem aproveitar a oportunidade de realmente aprender, então me esforcei para aprender a forma correta da língua. 

Depois que me mudei para a pequena cidade de Cold Spring no subúrbio, conheci o programa Literacy Volunteers, que encaminhava pessoas que precisavam  de ajuda em seus estudos para voluntários cadastrados no programa.. 

Tive o privilégio de ter aulas particulares durante alguns anos com três professoras altamente capacitadas e extremamente importantes na minha formação. A primeira foi uma bibliotecária da pequena Butterfield library de Cold Spring, senhora muito culta e gentil. Sempre gostei de ler e enquanto lia ela ia corrigindo minha pronúncia e explicando o significado das palavras mais difíceis. A segunda foi Margareth Mudd, escritora que se tornou grande amiga. Sua contribuição em longas conversas, mesmo que fosse por demais gentil para corrigir os meus vários deslizes na língua, me ajudou a desenvolver a parte oral. Ela frequentava minha casa, participando de momentos festivos, me ofereceu trabalho e através dela conheci outra grande amiga Keiko, uma japonesa sua vizinha. A terceira foi Jenny Mullin, professora de inglês aposentada, que simplesmente não tenho palavras para descrever tão grande é a importância dessa incrível mulher na minha formação.  Com a ajuda dela me senti confiante para me aventurar a cursar uma faculdade e também fazer um curso para professor do método Montessoriano para ensinar crianças.

Jenny Mullin além de muito culta, era generosa e acreditava no meu potencial me incentivando a ir além. Ela me incentivou a ler poesia e estudar peça de Shakespeare. Além de me incentivar a estudar a linguagem rebuscada de  Shakespeare, certo dia ela comprou o ingresso e me levou para assistir a peça: Uma noite de verão.

Essas professoras se tornaram amigas e confidentes, pois me sentia muito sozinha num país onde tudo era novo e quando não podia me deslocar por causa das minhas filhas pequenas, elas vinham na minha casa. As aulas de inglês sempre me aqueciam o coração pois, eram acompanhadas de bate papo e um delicioso chá com biscoitos.  

Elas não apenas me ensinaram inglês, mas me deram a oportunidade de vivência real da cultura americana. Muitos se surpreendem quando falo que a minha vivência foi diferente da imagem que algumas pessoas têm de frieza e preconceito quando se referem aos nativos dos Estados Unidos, no entanto , muitas pessoas com as quais tive a sorte de conviver me passaram calor humano, generosidade e amor ao próximo. 

Finalmente também fiz alguns cursos na faculdade em Nova Iorque. Um dos meus maiores desafios, foi quando  depois de passar no TOEFL decidi fazer um curso de escrita criativa junto com alunos nativos. Foi um 1 ano difícil, pois além de estudar trabalhava e tinha filha pequena, mas os elogios que ouvi dos meus professores mais uma vez me fizeram acreditar que  não estava errada em tentar e mesmo com todas as dificuldades, ir sempre mais além.